6.5.04

Gostei, a "aula de artes" valeu a pena. Parece que a galera aproveitou. Vou fazer isso mais vezes. Quem sabe depois de visitar a exposição de Picasso que tá acontecendo aqui do lado de casa. Mas mudando de assunto...

Odores broxantes

Chegou algo parecido com a primavera por aqui. Depois de meses de inverno, está começando a melhorar. Mas com o pouco calor que já fez, deu pra sacar o que vou sofrer no verão. Não me refiro ao sol, me refiro ao cheiro. A cidade já está impregnada com o cheiro de suor. Quem dera se fosse só suor! É uma mistura nauseante, totalmente broxante.

No inverno o metrô mais parece uma caixa de naftalinas sobre trilhos. Aqueles casacos, que nunca chegaram perto de água, saem dos armários e invadem os transportes públicos. Seus donos, que parecem ter o mesmo problema com água, pioram a situação com a falta de desodorante. Mas não é tão insuportável, dá pra sobreviver cerca de dez minutos dentro do metrô, com as janelas fechadas, sem rever o almoço. Cheiro de chuteira depois de jogo. A situação se agrava quando algum cachorro, de algum dono vestido em casaco de naftalina, mija deliberadamente lá dentro. Assim fica algo como marmita requentada de feijão azedo que leva estômagos ao delírio. E aconselho todo munda a andar a pé depois de um jogo do Bayern. Pegar transporte público depois disso é loucura. Bávaros, em enorme quantidade, com casacos, bêbados, depois de horas de pulos ensandecidos, é cheiro de couve-flor cozida na certa.

Depois de pestanejar o inverno inteiro decobri que era feliz e não sabia. O sol chegou, a temperatura subiu e... eles não tiraram os casacos. As lojas ainda deixam o aquecedor ligado. E os cachorros não passam no cabeleireiro para dar uma aparada nas madeixas. E as vendas de rexonas alemães não aumenta. Não é preciso ter o olfato apurado pra ter a impressão de que uns 20 frangos foram abatidos no metrô. E quando entra aquele senhor de jaqueta de couro no mesmo vagão que você, pode dizer em toda a altura: Fudeu!. Ele vai se posicionar ao seu lado e levantar os braços a todo o momento, exalando aquele cheiro de salgadinho de cebola. E pra descobrir se é possível conseguir efeitos alucinógenos com peidos, basta entrar em uma loja com médio movimento no sábado. Você se sentirá um peido personificado depois de 20 minutos nesse ambiente.

E se por um acaso você queira voltar pra casa de transporte público e por um acaso chover, o cheiro de cachorro molhado não virá somente dos cachorros. Mas se além do cheiro de pomba piolhenta, algo azedo chegar ao seu nariz, aí sim! Pode ter certeza que foi o cachorro. Ou o dono.

Por favor, sem generalizar.

::::Adele:::: as 2:47 AM


27.4.04


Aula de artes


Lembro-me de um professor de história da arte que tive, ainda no Marista de Brasília, que não me ensinou absolutamente nada. Ele era um pateta e os alunos uns sacanas, sendo assim a aula um inferno. Toda vez que a minha ignorância no quesito "artes" se manifesta, me lembro dele. E foi assim essa semana.


Na última quarta-feira fui conhecer uma das três pinacotecas de Munique, a Neue Pinakothek, com a escola. Doutor Franguinho, nosso professor centenário, foi nosso guia. E o cara entende tudo de tudo. Já a pessoa aqui, não entende nada de nada. Apesar de dominar o assunto com a mesma segurança que meu papagaio, eu procuro entender e admirar. E mais uma vez fiquei pasma, como certas obras me levam à reflexão. Algumas me levam para longe, outras me contam histórias. E tem umas especiais que me deixam triste e curiosa. De muitas posso citar algumas como:


Italia und Germania, de Overbeck, que pinta as mais belas Madonnas;
Seni vor der Leiche Wallensteins, de Piloty. Essa coisa da figura negra na vertical fazendo o contraste da figura branca na horizontal é tudo;
Der Anatom , de Gabriel von Max. Novamente essa coisa negro e branco, vida e morte, esse contraste que tanto me agrada;
Die ekstatishe Jungfrau Katharina Emmerick, outro de Gabriel von Max. Tem que ver e sentir;
Frühstück im Atelier, Manet. As cores, os semblantes, as ostras. Ah, é um Manet, deixa eu guardar meus comentários infelizes;
Die Büglerin, Edgar Degas. Gosto dessa obra por ela não ter sido terminada. A indecisão do artista quanto aos movimentos da passadeira, a expressãao da mesma, enfim, tudo;
Sonnenblumen, van Gogh. Silêncio.


Ah, eu podia colocar duas dúzias aqui. E mais centenas de exemplos do Louvre. Elas são lindas, e suas histórias fascinantes: Ela me fez perder (na verdade ganhar) uns quarenta minutos, babando. E muito mais antigas e misteriosas, Victoria de Samotracia e Venus de Milo. Tenho que voltar lá.

Só alguns exemplos, todos maravilhosos. O que eu não aprendi naquelas aulas, vou aprender agora. É muito fascinante pra passar batido. Texto chato? Dá uma olhada nos links, vai. Acabe com o "preconceito contra as artes". Que me falou isso mesmo?



Enviado por:Adele - 16:01:00 ::


::::Adele:::: as 4:40 PM

 

[X] Perfil:

Nome: Adele
Idade: 17
Cidade: Munique

[x] Email

S.A.C aMmB

 

Cerveja Quente:

04/25/2004 - 05/02/200405/02/2004 - 05/09/2004

[Blog Antigo]

 

Curioso(a)?

PARCEIROS:

BLOG*SPOT

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com


LIBEREM O ACESSO
AO KIT.NET
PARA OS
BRASILEIROS NO
EXTERIOR!

Interessantes:

 

ADICIONAR AO FAVORITOS!